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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Um "monstrinho" para levar no bolso


Um dia você acorda e tem a ideia de que um objeto discreto, pequeno, que cabe na palma da mão, pode ser o ideal para usar numa situação do tipo "caso eu precise me defender". Aí você abre o Aliexpress e se encanta por toda sorte de opções. Depois, você conversa com amigos (que não utilizam tais armas, ou que as portam mas não treinam nada) e eles opinam, conforme a impressão que têm de cada espécie de arma, sob uma influência imaginária, induzida por vídeos do YouTube.

Então, você escolhe e compra. Depois sai por aí, todo pimpão, com seu "monstrinho" de bolso, totalmente legal. Sai caminhando firme, na certeza de que se dará bem no caso de uma eventual agressão. Aí começa o engano...

Bom, primeiro, se você não sabe lutar, essas armas não vão ajudar, podendo mesmo "complicar" (imagine só, você levando uma surra com seu próprio artefato). Depois, se você sabe lutar, pode vir a supor que basta empunhar a arma e usar as técnicas aprendidas na arte marcial que você já pratica, pela qual já participou de muitas competições e venceu... Só que isso não é bem assim. Não tratamos de esportes marciais, mas de possíveis confrontos reais. E o que pode parecer uma simples adaptação, na verdade é uma integração, um processo de educação mais profundo.

Como praticantes de artes de combate baseadas (e com forte ênfase) no uso de armas, os estudantes de Kali, Pencak Silat e Krav-magá percebem que, logo que começam a aprender as técnicas com uma determinada arma, uma das coisas que aparece é uma necessidade de ajustes, para não ser atingido pela própria arma e para que ela não migre para as mãos do oponente. Isso é muito comum, pode crer. No Kali, por exemplo, há exercícios aprendidos com bastão, mas que se executados com um facão podem (facilmente) resultar em cortes sérios no estudante que as executa. Logo, os ajustes finos surgem, como uma exigência de refinamento técnico.

Isso se aplica a todas as armas. As pequenas armas contundentes podem acertar você mesmo, especialmente nas áreas de transição de movimentos, como cotovelos, antebraços e mesmo no rosto, pois na aplicação de golpes fluidos uma mão pode "atropelar" a outra, atingindo o outro braço. Além disso, no retorno do movimento, a cabeça pode "estar no caminho". Logo, apesar de muitas técnicas comportarem um "potencial de transferibilidade", isto é de se embasarem na mecânica geral da arte, as peculiaridades da arma demandam ajustes. Exemplo disto é a aptidão das Karambits em ferir a mão viva (desarmada) de quem a empunha e não treina movimentação adequada. Mas, nosso assunto agora são armas pequenas e contundentes...

No campo da aplicação efetiva, outro fator deve ser mantido em mente. Você, dificilmente, derrubará um oponente com um único golpe, daqueles cinematográficos. A ação exigirá agressividade, logo, muitos golpes, sem intervalos, rápidos, potentes e decididos, sem dúvidas ou pausas mentais para avaliar. É tudo ou nada! É sobreviver ou não! Sua capacidade é que estará em jogo e não o suposto poder da pequenina arma, cuja eficácia depende 100% de sua aptidão.

A arma pequena e impactante é apenas uma extensão de seu poder pessoal, de sua capacidade de se movimentar e agir. Uma extensão valiosa, sem dúvida, mas depende de você, mais do que dependeria uma arma de fogo, um bastão, uma faca. Por motivos simples: a luta com apoio de tais armas está mais próxima da realidade do combate desarmado do que da luta com armas que trazem "poderes" em si mesmas, como um projétil, um fio de lâmina, ou a inércia e a massa de um bastão.

A esta altura do texto você pode pensar que o autor está querendo persuadir você a praticar Pekiti Tirsia Kali, Pencak Silat, Krav-magá. E você tem razão ao pensar isto. Tal intenção existe. Mas não à toa. É por causa da natureza dessas artes, voltadas para a dura realidade dos chamados combates aproximados e das ditas "lutas corporais". Porém, não existe a intenção de desvalorizar ou subestimar qualquer arte marcial, de forma alguma. Pelo contrário, se você pratica ou ensina qualquer das artes mais conhecidas do grande público, considere que as nossas sejam um tipo de extensão no aprendizado, como uma "pós graduação", que vai somar e abrir novas possibilidades para o conhecimento aplicado de sua própria arte. Tanto isto é verdade que não faremos "estudos comparados" da abordagem de uso das armas nesta ou naquela arte marcial. Cada qual tem seus aspectos próprios e sua própria expressão. O respeito pelo conhecimento pauta nosso pensamento.

Vamos, então, apresentar algumas armas pequenas e contundentes, comuns em nosso meio...



Dulo-dulo, ou Kubotan, ou "Yawara*" (chalmado, também, "Palm Stick"):

Basicamente é um bastão que ultrapassa um pouquinho só a palma da mão, deixando uma ou duas extremidades de fora. Serve para bater, sob a mesma mecânica que utilizamos com mãos vazias (tapas e martelos). A ponta potencializa os golpes, tornando-os mais efetivos. Serve, também, para controlar os golpes do oponente, puxando e redirecionando seus movimentos. Nos grapplings, na aplicação de uma chave, são ótimos para "aumentar a pressão" e facilitar o controle do adversário.

Talvez sejam as armas que contem com a mais ampla gama de design no gênero. Uma ou duas pontas, materiais variados, formatos elegantes, artísticos e até mesmo inusitados são fáceis de encontrar para esses pequeninos bastões. As populares canetas táticas são exemplos interessantes dessa variação. Canetas feitas em alumínio (no mais das vezes), que discretamente acompanham seus donos.

*Yawara - Temos o máximo de preconceito possível contra essa denominação, graças a uns sujeitos que, há tempos apareceram nos círculos esportivos com uma tal de "arte-marcial-invencível-horrível-superdolorível" chamada "yawara". Bom, deixa pra lá... Pesquise quem quiser...








Soco inglês, ou Knucle Duster, ou Buku Lima:

Infelizmente, arma "marginalizada", mal vista porque é associada a baderneiros, arruaceiros, criadores de encrenca e outros tipos de escória briguenta. Mas não é uma arma ilegal, como muitos imaginam e como muitos querem fazer crer. Tampouco merece ser desprezada, especialmente se você treina Pencak Silat, Pangamut do Pekiti Tirsia Kali ou Panantukan. 

Em geral possuem aquele design "clássico", que já indica sua (única) finalidade. Porém, existem modelos discretos desse conceito de arma, mais dissimulados por designs muito criativos. Podem ser encontrados em vários materiais, como polímeros e madeira, por exemplo.





 É claro que sabemos que é um  tipo de suporte, ou steady cam. Mas, só para não perder a piada: Nem dá pra notar... Deve ser "tático", ou próprio para legítima defesa (já faz o registro)



Monkey fist:

Aquelas bolinhas "bonitinhas", de aço ou chumbo, de tamanhos variados, artisticamente embrulhadas com Paracord... Podem ser portadas como chaveiros e adereços. São como aquelas Maças medievais, porém em miniatura. Servem para golpear. Sua eficácia depende de fatores como densidade, tamanho e peso (massa) da esfera em seu núcleo. Pessoalmente, acho legal, tenho, mas não ponho muita confiança...





Lanternas táticas:

Essas, sim, são armas de "responsa". Além de úteis para iluminar, servem para cegar temporariamente o adversário, desorientando-o e dando oportunidade para evasão, ou para despejar nele uma chuva de pancadas.

Há lanternas para todos os gostos, necessidades e bolsos. Quando digo bolsos, me refiro aos preços, uma vez que grande parte delas é de bolso. Mas as lanternas táticas, por execelência, não costumam ser aquelas facilmente encontradas no Aliexpress, que prometem 200.000.000 de lúmens e 10.000 horas de bateria, por apenas cinco dólares. Não... Você pode até encontrar uma boa, mas dificilmente terá as características de uma lanterna tática propriamente dita. E quais seriam essas características...?

São robustas, sólidas, com potências realmente altas (800, 1000 lúmens ou mais), gastam bateria loucamente (muitas contam com modos econômicos, para uso geral), podem possuir modo estroboscópico, muitas têm bisel (aquela borda para golpear), e muitas são adaptáveis a acessórios para acoplar em armas de fogo.

Quer comprar uma? Procure fabricantes de boa reputação, pesquise os modelos, assista análises no YouTube e prepare o bolso, pois uma lanterna tática de qualidade, mesmo sendo acessível, não é um item dos mais baratos. Existem umas de sessenta dólares e outras que chegam a duzentos, todas muito boas.


Esta aqui toca fogo nas coisas. Flash Torch (Wicked Lasers). Bacana, mas não dá pra levar à sério.





Finalizando, estas são algumas opções no mundo das pequenas armas contundentes. Todas muito interessantes e efetivas. Contudo, se você não treinar (física, técnica e mentalmente) nenhuma delas irá te ajudar a salvar a pele numa encrenca. Pedir a Deus que te proteja, antes de tudo, e treinar, treinar, treinar...



NOTA - Como disse, nesse mundo de pequenas coisas para bater nos outros o que não falta é criatividade. Muitas ideias interessantes, ao lado de bizarrices e "reinvenções da roda". Alguns exemplos abaixo...


O do alto à esquerda parace ter saído de uma sex shop. À esquerda deste um tipo de spinner que não roda, chique, todo brilhoso. Abaixo à esquerda, um tipo híbrido de chave sextavada com alça de caneca. À direita inferior, parecendo uma ferramenta, um "karandulo".  Haja imaginação!

Agora, sim, o texto acabou. 

Obrigado. Até a próxima.

Mabuhay!



















quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Uns canivetes..., umas travas...

Quando se trata de canivetes, um assunto que ocupa tanto o desconhecimento, quanto a esclarecida preferência pessoal é o travamento, responsável pela segurança no uso do artefato e pela usabilidade diante múltiplas aplicações.

Nos tempos do "pica-fumo" do vovô a segurança era zero, resumida na tensão de mola que mantinha a lâmina firme, quando aberta ou fechada. Um simples esbarrão, mais ou menos forte, conforme o canivete, já era o bastante para que a mola cedesse e a lâmina se fechasse de um golpe só. Pobre do dedo que estivesse na reta...

Com o tempo, foram aparecendo sistemas simples e eficazes de travamento. Vale observar que, no contexto nacional dos canivetes de produção industrial, temos notícia de um ou dois tipos de travas, no máximo. Mesmo assim, nos limites de minha experiência como comprador, desde cedo na vida tive a oportunidade de testar e atestar a duvidosa (leia-se baixa) qualidade desses produtos "seguros" made in Brazil. 


As grandes estrelas continuam sendo os canivetes fabricados por companhias de outros países. Mas, não queremos dizer que lá fora tudo seja bem feito; muito pelo contrário, a quantidade de lixo é enorme. É só abrir o Aliexpress, comprar pela aparência e esperar pelo desapontamento. Refiro-me aqui às marcas de reconhecida qualidade dentro de seus propósitos, quer os modelos se destinem a ser ferramentas boas e confiáveis, quer sejam configurados como armas. Poderíamos mencionar muitas marcas de comprovada qualidade e reputação, muitos ou pouco conhecidas do grande público, mas o objetivo ainda não é este. Este pequeno texto versa sobre travas. Por isto, me utilizo de alguns exemplares de meu pequeno acervo, os quais selecionei como exemplos de travamentos diferentes.

Este texto tem apelo técnico, porém passa longe de ser imparcial, ou seja, é assumidamente ligado à minha particular opinião, sobre o que acho melhor ou pior, sobre que aprecio ou deprecio. A beleza da coisa é esta: Não pretendo ensinar, nem falar com ares de expert, tampouco esgotar a questão. Quero apenas puxar conversa; afinal se o modelo de trava "X" ou "Y" é o "melhor", que o diga você também, com sua experiência que é única e diferenciada. Porque há travas extremamente seguras, nas quais uns confiam e outros não; neste último caso, seja por terem tido uma experiência ruim, seja por razões técnicas, seja por não irem com a "cara" do sistema de segurança. Tudo é válido. O tempo e o uso revelam os prós e os contras.

Vou falar do que tenho e tive. Canivetes com travas liner lock, frame lock, back lock e g-lock/axis lock. 

1) Browning Black Label "Checkmate"; CRKT M21 14SFG. 2) Kershaw Emerson CQC 6K. 3) Ganzo G720



Liner lock:


Talvez seja o travamento mais comum de se encontrar. Consiste, basicamente, numa haste com tensão de mola, que permanece pressionada contra um dos lados da armação, enquanto o canivete está fechado, e que se alinha sob parte inferior da lâmina, assim que esta se abre por completo.

A confiabilidade do liner lock depende de fatores como a qualidade do aço empregado na armação (que é o mesmo da haste), considerando sua têmpera e espessura, resistência da tensão de mola e o alinhamento entre a haste e a lâmina aberta (neste último detalhe, o esmero na usinagem e acabamento podem ser indicadores da qualidade da trava).

Haste fina ou grossa? Não importa muito. O que pesa é que ela permaneça no lugar, travando a lâmina aberta, sob ação esforços e impactos dos mais variados. Para tanto, conjugam-se os fatores citados no parágrafo anterior.

A esmagadora maioria dos liner locks é de construção simples, só a haste. Mas, como a criatividade é quase ilimitada no mercado (e no design funcional), você pode encontrar versões diferentes deste tipo deponde trava, com "reforço" por outros dispositivos assistentes, como no mostrado mais abaixo.

Pessoalmente, não costumava confiar em liners, mas isto se devia ao primeiro que tive, um nacional, de marca muito conhecida, que já me deu muitos sustos ao fechar abruptamente. Porém, essa impressão ruim desapareceu, quando adquiri outros (importados), de boa reputação no universo "faquista". Tanto passei a confiar que espero adquirir um modelo de karambit articulado da mais famosa marca do mundo, que é travado por liner lock.



Checkmate real e trainer

Detallhe: Liner lock fechado e aberto
CRKT: Liner "reforçado" por um dispositivo ("Autolawks") que mantém a trava firme no lugar.

Liner: Trava da lâmina. Autolawks: Trava da trava.

Liberador do Autolawks. Você pressiona, afasta o liner e fecha a lâmina.

CRKT M21 14SFG - "Pequenino", "delicado" e com aparência muito "amistosa".  Adoro esse "caniva"!


Frame lock:



Neste sistema de travamento a própria armação serve de apoio para a lâmina aberta. Um dos lados da estrutura é cortado e articulado como mola, que se encaixa na base da lâmina ao abrir. Geralmente, os modelos frame lock têm chassis robustos, que numa primeira olhada inspiram a maior confiança. Mas, não se deixe levar pelas aparencias, pois os mesmos fatores de usinagem e acabamento influem na efetividade do travamento, que, a exemplo dos liners, deve estar bem alinhado com a base da lâmina e não ceder fácil sob esforços e impactos.

Dizem alguns experts que o frame lock, com o tempo, tende a se deteriorar pelo atrito excessivo entre a trava e a base da lâmina. Alegam que as diferentes durezas, entre os materiais da armação e da lâmina (ambos geralmente aço) acabariam por impor um desgaste excessivo de uma das partes, o que resultaria em folga e posterior inutilização do sistema.

Gosto demais desse sistema. Para mim é o melhor e mais confiável. Tenho três, sendo dois de lâmina plana e um karambit. Entretanto, como disse no começo do texto, o juiz é você, com sua experiência e percepção. 




Kershaw Emerson CQC 6K, real e trainer.

Frame lock: vista geral. A própria armação, com pressão de mola, trava a lâmina. 


Detalhe: Frame lock fechado e aberto. 
Karambit Smith & Wesson frame lock. Desde 2011, nada a reclamar.

Axis lock:



É até difícil descrever essa "bagaça". As fotos mostrarão, mais abaixo. Mas se trata de um sistema de trava inserido no canivete, isto é, não se origina das partes comuns, componentes do mesmo.

Muito eficiente a olhos vistos. Você vê aquela barra atravessada, segurando a lâmina, e não fica dúvida quanto à solidez, que é um dos "prós". No lado dos "contras" pesam alguns pontos, quais sejam: o sistema é uma adição às partes que naturalmente compõem o canivete, sendo acionado por uma pequena mola, que posiciona o eixo de travamento sobre a base da lâmina aberta. Isso não chega a ser um problema, a não ser que a mola da trava se rompa ou perca a pressão. Outra coisa, que também não chega a ser um problema, mas uma certa limitação ao uso dos modelos axis lock como arma, é o fato da trava ceder e a lâmina fechar sob impactos mais fortes no dorso. Isso não é um defeito, mas uma característica de engenharia, pois, para que a trava se encaixe e segure a lâmina ao abrir, uma certa inclinação na base desta é exigida na construção.

O axis lock ficou famoso por sua igualmente famosa criadora, a Benchmade Knives. Sob o nome “g-lock” esse travamento foi incorporado pela Ganzo Knife em vários de seus modelos. A propósito, a despeito das menções preconceituosas que lhe dispensam em certos grupos de EDC (pelo jeito integrados apenas por "sábios" e “autoridades” no assunto ), Ganzo é uma ótima marca chinesa (isso mesmo) de canivetes e outros apetrechos. Robustez, resistência, bons materiais, design bonito, afiação top e preços muito, muito acessíveis, resumem um Ganzo. Claro que tem pontos merecedores de algum aperfeiçoamento, mas isso não diminui o mérito do produto.


Não tenho um Benchmade, mas tenho um Ganzo G720. O bicho é uma navalha de afiado; uma lâmina robusta com cerca de 90mm de comprimento por 4mm de espessura. Andei dando umas boas porradas, nele e com ele, para testar o g-lock/axis lock. Resultado: precisou de alguma força, porém nada exagerado, para a trava ceder e fechar a lâmina. Também assisti um vídeo com um comparativo entre Benchmade e Ganzo, que deu no mesmo... Minha pessoal conclusão: axis lock é uma ótima trava para canivete de serviço (ferramenta), mas não é confiável como arma, porque que num conflito estaria sujeito a impactos múltiplos, fortes, imprevisíveis e aleatórios, que poderiam fechar inesperada e violentamente o canivete. E, numa situação de vida ou morte, o que você não precisa é de seus dedos feridos por sua própria arma...


Salvo alguns detalhes que podem melhorar, é show! Robusto, razor sharp e o melhor custo x benefício da galáxia! 
O sistema depende dessa mola acionadora. O uso é intenso. Até hoje não deu susto.



O entalhe é inclinado em relação à trava, como uma rampa onde esta se firma ao acionar.


Back lock:


Atualmente, não tenho um desses modelos. O último que tive foi um "decepa dedo" de uma famosa marca nacional. As fotos foram cedidas pelo amigo Ricardo, de seu Spyderco Endura Wave.

O dorso desses canivetes é articulado e com pressão de mola. Sua extremidade próxima à lâmina costuma ter um entalhe em formato de "dente", que se encaixa numa contraparte de formato semelhante (na base da lâmina), formando um conjunto sólido.

Esse tipo de trava, em minha tosca opinião, talvez seja a que mais denuncie o nível de qualidade e know how do fabricante. Se for firme, sólido e preciso, como nos canivetes da Spyderco e da Cold Steel, parabéns, o "bicho" é seguro com louvor. Se for meia-boca na construção, ou feito com materiais ruins, aí é prejuizo na certa, especialmente para a mão que o empunha.

Certa vez ganhei de presente um desses back locks, de uma tradicional marca brasileira. Era um canivete dos grandes, só alegria, até o dia em que a pressão de minha própria mão sobre o cabo soltou a trava enquanto trabalhava. Sangue e decepção, seguidos da mais alta desconfiança. 


Fiquei "curado" da suspeita sobre os back locks quando (recentemente) conheci um Spyderco e um Cold Steel. Finos, especialmente o primeiro. Se gostou do sistema back lock e das marcas citadas, pode comprar sem medo. Tire o escorpião do bolso e seja feliz.


Spyderco Endura Wave - Sistema back lock

O back lock é simples e integra a estrutura

Esmero na construção é detalhe de importância crítica no travamento.


Detalhe: atuação do travamento back lock




domingo, 6 de agosto de 2017

Que venha o Pencak Silat Panglipur!

Neste domingo, 06 de agosto de 2017, tivemos a oportunidade de conhecer um pouco de uma arte de combate de primeira grandeza, o Pencak Silat Panglipur.

Participamos de um treino a convite do Kang Luiz Gustavo Metzker, único representante credenciado pela Panglipur na América Latina, em sua sede, situada em Sete Lagoas MG.

Foi uma experiência sensacional! Tivemos a chance de perceber as singularidades, os conceitos, a potência marcial dessa nobre arte; observamos, também, as semelhanças conceituais e práticas, que existem entre o Pencak Silat Panglipur e nosso amado PTK. Ficamos realmente surpresos com tudo, e muito entusiasmados com a aliança nascida do encontro.

Enquanto organização, o Kali MG sustenta o desenvolvimento de artes de origem indonésia, Pencak Silat, como um dos três pilares de nossos estudos. Era uma lacuna que faltava preencher. Agora está completo o quadro. Pekiti Tirsia Kali, o foco principal de nosso trabalho e compromisso, sob a égide da PTTA. Pencak Silat, e outras disciplinas combativas, como pilares que formam nosso "triângulo" marcial, com o qual avançamos na infinita estrada do conhecimento, que traz o bem e o crescimento a todos que sobre ela caminham.

Agradecemos de coração ao Kang Luiz por esse encontro. Que as sementes lançadas hoje frutifiquem com vigor e muita qualidade!

Agradecemos sobremaneira ao querido amigo Ulysses Moisés (Belém PA), sem o qual não teríamos tido esta magnífica reunião.

Mabuhay!

Da esq. para dir.: Eduardo (PTK), João (PTK), Kang Luiz (Pencak Silat Panglipur), Ramon (PTK).



quarta-feira, 9 de março de 2016

As "desconhecidas" Artes Marciais Filipinas - VII

  • AMPLITUDE DO CONHECIMENTO

Como informamos ao longo das postagens, o berço do Kali/Arnis/Eskrima é o complexo arquipélago filipino, que abriga populações de culturas e costumes diversos. Logo, o que não falta são “estilos” e peculiaridades entre as diversas Escolas. Muitos aspectos em comum também não faltam. Impossível conhecer todas com propriedade? Provavelmente, sim. Seria trabalho para mais de uma vida inteira!

O traço que une as múltiplas vertentes é o fato de todas serem baseadas no uso de armas. As diversidades, porém, são muitas. Alguns sistemas consideram que há diferenças entre o uso de bastão e de lâmina longa; outras tratam ambas as armas sob o mesmo prisma. Umas assumem que sua tecnologia nasce da faca e se desdobra em diversas técnicas, inclusive desarmadas. Outras se valem de chutes altos e socos em seu repertório desarmado. Muitas sofreram nítida influência de outras artes marciais, enquanto algumas evoluem sob os princípios originais e mais tradicionais da arte. Algumas admitem aspectos esportivos, outras cultivam a natureza combativa pura.

Em face de tal diversidade, é importante escolher bem. Procuramos, em nossos círculos de treinamento, desenvolver a arte orientados por fontes de sólido conhecimento; legítimos representantes das Artes Marciais Filipinas. Por isso a AMK se acha vinculada ao Pekiti Tirsia Kali, e mais recentemente à PTTA - Pekiti Tirsia Tactical Association, em virtude de características, tais como: originalidade e pureza de conteúdo, extrema eficácia prática, simplicidade didática, objetividade lógica e pela enorme riqueza técnica que traz consigo, sem deixar de citar o caráter francamente evolutivo e criativo, contido no corpo técnico altamente versátil. O Pekiti Tirsia Kali é capitaneado, no mundo inteiro, pelo lendário Grand Tuhon Leo T. Gaje Jr.  Pekiti Tirsia Tactical Association é dirigida por seu fundador, o Tuhon Jared Wihongi.

Visando contínua melhoria da cultura marcial coletiva e individual, AMK promove e participa de seminários de intercâmbio e aperfeiçoamento, com Mestres, Professores e Instrutores cuja contribuição seja relevante e reconhecida nos planos nacional e internacional. Estamos certos de que essa política respeita o legado marcial legítimo de cada fonte viva de conhecimento, e concede aos estudantes, instrutores e professores, ótimas oportunidades de refinamento técnico, ampliação do cabedal marcial, filosófico e vivencial. Afinal, é consenso que o saber, em qualquer área, é um tesouro que cada um carrega por toda a vida. Nas artes marciais isso não é diferente. E as Artes Filipinas são um dos mais ricos tesouros de conhecimento existentes.


  • O KALI DIANTE DO MUNDO E DAS PESSOAS

Em décadas recuadas do Século XX, a migração de Mestres filipinos para outras localidades do planeta, sobretudo para o Estados Unidos e Europa, possibilitaram ao mundo ocidental o contato com essas fascinantes artes, que até então eram praticamente desconhecidas. Isso se deu, principalmente, nas décadas de sessenta e setenta, como consequência de instabilidades políticas pelas quais passavam as Filipinas, notadamente nos tempos da ditadura de Ferdinand Marcos a qual, como sói acontecer sob regimes autocráticos, reprimiu as liberdades e muitas manifestações intelectuais, artísticas e culturais daquela nação. Mas, como ao lado das crises também surgem as oportunidades, essas floresceram noutras terras, onde os Mestres puderam transmitir seu legado com tranquilidade e paz.

Naquela época o mundo aderia com grande entusiasmo à prática de artes marciais, sobretudo as chinesas e japonesas, arrebatado pelas demonstrações, proezas e feitos exóticos de mestres e praticantes. Bruce Lee e Chuck Norris, incontestáveis expoentes dessas artes, amparados pela potência da indústria cinematográfica, figuravam como ídolos e exemplos do “poder” das artes marciais. Os filmes de "lutas" se multiplicavam com espantosa velocidade, sempre contando com muita pancadaria, movida a Karate e Kung-fu... Paralelamente a tal fenômeno penetravam, silenciosa e discretamente, no ocidente “marcializado” por tais artes, os ensinamentos de (até então) desconhecidos Mestres filipinos. No período seguinte, nas últimas duas décadas do Século XX, as sementes plantadas em terras ocidentais frutificaram num intenso movimento de expansão e de busca na direção inversa, marcado por crescente procura, por parte de ocidentais interessados nas FMA, pelos mestres em território filipino, os quais passaram a receber muitos estudantes de varias partes do mundo. Dessa busca nasceu uma multiplicidade de sistemas, com expressões e importâncias diversas no seio das Artes Marciais Filipinas.

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No cinema, as FMA (e também o Pencak Silat) têm se mostrado cada vez mais presentes, em virtude dos movimentos e técnicas que ensejam emocionantes e dinâmicas coreografias, resultando em sequências de luta extremamente impactantes. Dentre os filmes relativamente mais recentes estão a trilogia Bourne, Operação invasão (The Raid - Redemption), The Raid 2, Busca implacável (Taken), Caçado (The Hunted) e o belo Merantau, que bem demonstram a impressionante versatilidade do Kali e do Pencak Silat em suas eletrizantes cenas.

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O Kali, por suas características, cresce e se difunde cada vez mais, como sendo arte marcial eletiva para o treinamento de muitas tropas de elite das mais destacadas forças armadas e policiais do mundo. Por que motivo? Porque o Kali foi feito para funcionar... e funciona muito bem! Em combates aproximados [“close quarters”], em ambientes confinados e situações que exigem luta corpo-a-corpo, em momentos extremos, quando se necessita neutralizar, deter ou eliminar o inimigo de maneira rápida, efetiva e com a menor exposição possível ao dano iminente, o Kali tem se mostrado ímpar, comprovando sua origem essencialmente guerreira. Agentes públicos, como policiais civis, policiais militares, guardas municipais, diariamente expostos a situações potencialmente perigosas, além de outros servidores públicos não ligados a funções diretas de segurança [como fiscais, agentes de trânsito, oficiais de justiça, inspetores e auditores, agentes de inteligência etc], cujas tarefas não permitam ou não comportem o porte de armas de fogo, encontram no Kali um valioso apoio à segurança e preservação da integridade pessoal em situações cuja tensão possa degradar para agressões físicas. Para profissionais de segurança privada se aplica o mesmo, especialmente em face das limitações legais às quais se acham sujeitos. Para praticantes de outras artes marciais, o Kali tem se mostrado, cada vez mais, como disciplina eletiva no aperfeiçoamento das aptidões individuais.

O mesmo se aplica ao público em geral, no que diz respeito a situações extremas que facilmente atingem o cidadão de bem, no cada vez mais violento ambiente urbano, quando diante de agressões fúteis, ataques por mero preconceito, violências motivadas por drogas, álcool ou “stress”, violência sexual, brigas de trânsito, tumultos motivados por fanatismo desportivo, ataques por mais de um agressor, etc, se acha exposto, vulnerável e com a possibilidade de fuga dificultada. O Kali, com seu rico repertório de recursos, atende satisfatoriamente a essas desagradáveis demandas...

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O Kali, e em especial o Pekiti Tirsia, NÃO é (muitos perguntam) um tipo de “defesa pessoal”, como tantos “sistemas” de “defesa” e “combate” que se multiplicam por aí. Esses, em geral são compostos por técnicas “eficazes”, escolhidas isoladamente, extraídas do corpo de uma ou de várias artes marciais e ensinadas como numa cartilha, onde cada ataque corresponde a uma resposta predeterminada ou a um conjunto predefinido de respostas tidas como “corretas”. Não, o Kali NÃO é uma caixa de truques marciais.Também NÃO é um esporte. É Arte Marcial na mais rigorosa acepção do termo; o Kali é completo em cada estilo que verdadeiramente o represente! 

Admitir como reais "sistemas de defesa pessoal” baseadas em fluxos de ataque e contra-ataque preconcebidos é mesmo subestimar a imprevisibilidade do ser humano, induzindo os estudantes a crer que eventuais agressores sejam estúpidos, ingênuos, ou meros autômatos, programados para atacar apenas de maneira que possam ser neutralizados com vitoriosas e “avançadas” técnicas de “defesa", as quais, a bem da verdade, costumam desmoronar diante da realidade da ameaça mortal, que exige ação imediata, decisiva, rápida e consciente; ação essa muitas vezes criativa e necessariamente eficaz, para preservar a integridade física ou minimizar os danos que se possa sofrer. A efetividade no campo da aplicação é o que têm mostrado o incomparável valor das Artes Marciais Filipinas, que são completamente funcionais e aplicáveis em toda sua extensão.

Claro e óbvio que jamais aqui se incentiva a temerária e suicida reação contra uma violência iminente, como num assalto suportado por armas de fogo. Porém, seria hipocrisia e estupidez afirmar que “nunca”, como muito se apregoa por aí, se deve repelir uma ameaça armada. Os “especialistas” que advogam irrestritamente tal posicionamento, por questão de honestidade para com o semelhante deveriam incluir em sua doutrina a seguinte observação: todo roubo carrega em si o potencial latrocínio, o potencial estupro, a potencial lesão corporal gravíssima, o potencial sequestro, etc.

Naturalmente, um pensamento minimamente inteligente não indica reagir, mas AGIR, caso se apresentem condições reais para tal, o que implica em atitude interna, preparação permanente, equilíbrio, ponderação, bom senso analítico e capacidade de admitir (com tranquilidade) quaisquer consequências que possam resultar de um conflito, inclusive a morte, seja alheia ou a própria. Isso demanda treinamento externo e interno (psicológico), num processo de reeducação que constrói segurança concreta, e não apenas a ilusória "sensação de segurança" tão propalada pela mídia. E quando dizemos segurança, não nos referimos apenas à física, mas a todos os benefícios que incidem sobre a personalidade e o caráter, contribuindo para a construção de seres humanos melhores, mais serenos, tranquilos e felizes consigo mesmos, pois nada é mais realizador para alguém que sentir-se realizado como pessoa, que vive em constante crescimento e aperfeiçoamento de seus próprios potenciais.

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Falamos muito sobre coisas desagradáveis, como conflito, combate, etc. Tudo para criar certo contraste e assim deixar claro o que realmente importa, a vida, a proteção, o bem-estar, o respeito e a harmonia que devem prevalecer entre as pessoas. Ora, quanto ao risco de morrer, em qualquer situação que a vida nos apresente, por mais comum que essa situação possa ser, vale dizer que esse “risco” é inerente à condição humana e é diretamente proporcional ao “risco” de viver. Mas a grande maioria das pessoas só imagina eventos poderosos e trágicos determinando a morte. Poucos enxergam com honestidade a alta probabilidade de “bater as botas” por uma intoxicação alimentar, por asfixia de origem alérgica, pela base do crânio partida numa queda no banheiro, pelo gás que exala no silêncio da noite em casa, pelo cão feroz que escapa, por um choque elétrico, pelo vaso de flores que cai de um prédio, por um mero susto, etc, etc, etc. Eventos muito simples e presentes todos os dias. Todos exemplos de ocorrências corriqueiras, que fazem parte das possibilidades da vida, contra as quais contamos com a educação e cuidados pessoais, com o auxílio dos semelhantes e, acima de tudo, com a Misericórdia Divina...

Exemplo da complexidade e da exatidão que deve ter a preparação pessoal para situações extremas de conflito, do tipo “tudo ou nada”, se acha visível na equivocada ideia de que, por “dominar” alguma uma arte marcial ou frequentar “cursos” de defesa “avançada” ou simplesmente por portar uma arma de fogo, alguém se encontra apto a enfrentar (com êxito) um ataque. Tomemos como exemplo um ataque com faca, que é muito comum. Normalmente um “lutador experiente” acaba seriamente esfaqueado, cortado, quando não sucumbe sob a lâmina do agressor decidido. O homem comum, armado de revólver, pode ser que se saia bem em ambiente aberto, principalmente a distância segura, se prever o perigo e sacar sua arma antes, etc..., contando que acertará um ou mais tiros efetivos sob a forte tensão do momento. Agora, imagine-se num carro sendo abordado por uma faca ou objeto pontiagudo, como um gargalo de garrafa, no pescoço; imagine-se no meio de um tumulto, rodeado por várias pessoas agitadas, aproximando-se e afastando-se freneticamente; imagine-se no escuro, na rua, durante um apagão numa grande cidade; imagine-se dentro de um elevador, com alguém tendo um surto psicótico violento; imagine-se agarrado por alguém armado com um simples estilete [ou mesmo desarmado]... Pode ficar muito difícil usar o revólver, não é mesmo...?

No tocante às facas e instrumentos análogos, acreditem: quem ataca com uma faca via de regra está muito determinado, muito motivado, decidido a fazê-lo com sucesso e normalmente logra êxito. Afinal, numa simples comparação, ao atirar nos outros é fácil errar; ao atacar com faca, a chance de erro é mínima, especialmente porque o atacante procura todas as condições favoráveis para investir, para minimizar as resistências e a capacidade de revide por parte da vítima. É por razões assim que as Artes Marciais Filipinas trabalham com manejo de armas desde o início e propõem ênfase no ensino da atitude mental e física adequadas a agir em situações críticas.

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Afirma-se que FMA são artes ímpares em combate. Mas não se diz tal coisa por arrogância, ou por estúpida pretensão de superioridade, ou porque se deseje desmerecer as demais artes marciais, pois todas, sem exceções, são dignas de imensurável valor. O que se enfatiza é que a natureza e a filosofia do Kali são assumidamente voltadas para a sobrevivência, para a abreviação dos conflitos, para o combate e proteção efetiva, quando necessário. Ora, não se tem notícia histórica de que algum povo tenha tido suas questões coletivas de sobrevivência tão comprometidas com artes de combate quanto nas Filipinas, Indonésia, Malásia e vizinhanças próximas. Quando muito, aos demais povos as artes marciais ajudaram nas batalhas e na resistência contra os males de invasores e tiranos. Talvez, na Tailândia se encontre uma exceção, expressa no Muay Boran (arte de guerra, da qual surgiu o Muay Thai) e no Krabi Krabong, extensão armada das artes tailandesas. Mas a verdade é que os “povos dos arquipélagos” foram, em diversas ocasiões, os que tiveram situações vitais, coletivas, massivas e ostensivas, decididas pela força das artes marciais. Basta examinar a história para verificar que no Japão medieval e na antiga China técnicas militares costumavam ser baseadas em artes marciais, mas não eram as próprias em seu todo. Por força de mil e uma imposições e restrições de ordem prática [como a necessidade de treinamento rápido de grandes contingentes], e outros impedimentos de ordem política, legal [eram comuns as restrições às armas para o povo, como na velha ilha de Okinawa, nos primórdios do Karatê há muitos séculos], as artes marciais acabavam relegadas a segundo plano, ou eram reservadas a determinadas classes mais proeminentes. Exemplo disso era a permissão de uso de espadas apenas para os nobres em algumas sociedades. Reforçando o que acabamos de afirmar, as Artes Filipinas e suas armas sempre fizeram parte dos costumes ancestrais do povo, nunca tendo figurado como coisas restrita a determinadas castas, clãs, ou classes de pessoas, como no Japão feudal, quando havia samurais e apenas samurais aprendiam coisas de samurais, e por aí vai... As Artes Marciais Filipinas sempre foram coisa ligada à população daquelas ilhas, tanto que, em 2006, sua importância foi oficialmente reconhecida, quando se tornaram objeto de proteção pela chamada Lei do Arnis, que as define como patrimônio cultural do povo filipino.

Para dirimir dúvidas a respeito do Kali, não nos dispomos a defender posições de “comprovação”, de “superioridade”, ou a “debater” o assunto, pois polêmicas são desgastantes e inúteis em face dos fenômenos humanos. Todavia, chamamos a história, o tempo e os eventos como testemunhas. Acima de tudo, especialmente, convidamos aos leitores que acompanharam estas nossas singelas postagens a vivenciar o Kali, para que cheguem às próprias conclusões sobre tudo o que oferecem essas maravilhosas, embora ainda “desconhecidas”, Artes Marciais Filipinas.

Obrigado a todos!

Mabuhay!

R.Teixeira


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domingo, 26 de julho de 2015

Pekiti Tirsia Tactical Association

Pekiti Tirsia Tactical Association foi fundada pelo Tuhon Jared Wihongi em 2002. A ideia de uma associação dedicada à aplicação tática do Pekiti Tirsia foi baseada na extensa experiência do Tuhon Jared como Treinador Policial, Operador da SWAT e Instrutor de técnicas de combate junto às Forças Especiais do Exército. O conceito original de Pekiti Tirsia Tactical Association era de uma organização dedicada ao treinamento do Método Tri-V do Pekiti Tirsia Kali com estrita ênfase em aplicação tática. Desde então a missão tem se desenvolvido para abranger as metodologias de treinamento do "Pekiti Tirsia Clássico" além do Método Tri-V.

A maior parte dos Instrutores Seniors dentro da PTTA são Operadores Policiais/Militares da ativa, da reserva e treinadores de "uso da força" de todas as partes do mundo. Por assim ser, PTTA tem crescido em escolas afiliadas e organizações com grupos de estudos compostos principalmente de entusiastas civis, bem como de operadores policiais/militares.

Nossa busca pelo conhecimento e guiada pelo Grand Tuhon Leo T. Gaje Jr., que apoia oficialmente a PTTA e atua como Consultor Técnico Chefe junto ao Corpo de Diretores. PTTA é uma das várias organizações que opera sob a égide da Pekiti Tirsia Global Grand Alliance. 


Tuhon Jared Wihongi

Pekiti Tirsia Kali

"Pekiti Tirsia Kali é uma arte de combate aproximado altamente eficaz, originária da região de Visayas, nas Filipinas."
Baseada sobre táticas e estratégias derivadas do uso de lâminas, Pekiti Tirsia Kali é um sistema completo, que incorpora tanto métodos com armas, quanto com mãos vazias. Criado para combate contra um ou múltiplos adversários, Pekiti Tirsia é uma antiga arte, que tem evoluído para continuar relevante diante dos modernos cenários de combate e defesa pessoal.

Pekiti Tirsia é comprovadamente eficaz em combate e de inestimável valor para o preparo de forças policiais e comunidade militar. Em seu país de origem, Pekiti Tirsia tem se tornado a base dos programas oficiais de treinamento em combate das Forças Armadas Filipinas e Polícia Nacional. 
Internacionalmente, tem sido ensinado a milhares de integrantes das Polícias e Forças Especiais nos Estados Unidos, Europa, Índia, Rússia e através da Ásia.



Grand Tuhon Leo T. Gaje Jr.


No Brasil PTTA & PTK South America 

Embora o presente texto seja uma tradução do conteúdo disponível no teampekiti.com, não poderíamos deixar de informar que, no Brasil, Pekiti Tirsia Tactical Association e Pekiti Tirsia Kali South America, atualmente conta com grupos no Estado de São Paulo, liderados pelo Lakan Guro Waldevir Jr. e no Rio de Janeiro, liderados pelos Lakan Guros Marcílio Silva e Ricardo Medina.  

The Pekiti Tirsia Tactical Association was founded by Tuhon Jared Wihongi in 2002. The idea of an association dedicated to the tactical application of Pekiti-Tirsia was based on Tuhon Jared’s extensive background as a Police Trainer, SWAT Operator and an Army Special Forces Combatives Instructor. The original concept of the Pekiti Tirsia Tactical Association was an organization dedicated to training the Tri-V Method of Pekiti-Tirsia Kali with a strict emphasis on Tactical Application. The mission has since grown to encompass “Classical Pekiti-Tirsia” training methodologies in addition to the Tri-V Method.

Most Senior Instructors within the PTTA are current and former Police/ Military Operators and Use-of-Force trainers from around the world. This being the case, the PTTA has expanded to the point where most affiliate schools have classes and organizations with student bases made up primarily of civilian enthusiasts, as well as police/military Operators.

Our pursuit of knowledge is guided by Grandtuhon Leo T. Gaje Jr. whom officially endorses the PTTA and acts as Chief Technical Advisor to the Board of Directors. The PTTA is one of several organizations that operates under the umbrella of the Pekiti-Tirsia Global Grand Alliance.


Pekiti Tirsia Kali 
"Pekiti-Tirsia Kali is a highly effective close-quarters fighting art indigenous to the Visayan region of the Philippines."
Based on tactics and strategies derived from edged weapons, Pekiti-Tirsia Kali is a complete system incorporating both weapons and empty hands methods. Designed for both single and multiple attackers, Pekiti-Tirsia is an ancient art that has evolved to stay relevant for modern combat and self-defense scenarios. 
Pekiti-Tirsia is proven effective in combat and invaluable for preparing Operators of the law enforcement and military community. In the country of origin, Pekiti-Tirsia has become the basis for the official combatives programs of the Armed Forces of nthe Philippines and Philippine National Police. Internationally, it has been taught to thousands of police and military Special Operations personnel in the United States, Europe, India, Russia and across Asia.