sexta-feira, 13 de março de 2020

Lançando uma luz sobre lanternas táticas

Pequenas, leves, fortonas...

Certa vez publicamos um ensaio sobre armas pequenas e contundentes (Um "monstrinho" para levar no bolso), no qual dedicamos algumas linhas às lanternas táticas. O que escrevemos no artigo referido foi isto:



“Essas, sim, são armas de "responsa". Além de úteis para iluminar, servem para cegar temporariamente o adversário, desorientando-o e dando oportunidade para evasão, ou para despejar nele uma chuva de pancadas.

Há lanternas para todos os gostos, necessidades e bolsos. Quando digo bolsos, me refiro aos preços, uma vez que grande parte delas é de bolso. Mas as lanternas táticas, por excelência, não costumam ser aquelas facilmente encontradas no Aliexpress, que prometem 200.000.000 de lúmens e 10.000 horas de bateria, por apenas cinco dólares. Não... Você pode até encontrar uma boa, mas dificilmente terá as características de uma lanterna tática propriamente dita. E quais seriam essas características...?

São robustas, sólidas, com potências realmente altas (800, 1000 lúmens ou mais), gastam bateria loucamente (muitas contam com modos econômicos e intermediários, para uso geral), podem possuir modo estroboscópico, muitas têm bisel (aquela borda para golpear), e muitas são adaptáveis a acessórios para acoplar em armas de fogo.

Quer comprar uma? Procure fabricantes de boa reputação, pesquise os modelos, assista análises no YouTube e prepare o bolso, pois uma lanterna tática de qualidade, mesmo sendo acessível, não é um item dos mais baratos. Existem umas de sessenta dólares e outras que chegam a mais de duzentos, todas muito boas.”
Pedimos encarecidamente ao amigo leitor, que anda pensando em comprar uma lanterna bacana e “porradeira”, que preste bastante atenção nestas observações, usando seu bom discernimento para não comprar gato por lebre:
“Mas as lanternas táticas, por excelência, não costumam ser aquelas facilmente encontradas no Aliexpress, que prometem 200.000.000 de lúmens e 10.000 horas de bateria, por apenas cinco dólares.”

Muitas dessas lanternas, de aparência “tática”, são boas utilitárias sim, eventualmente podem até “quebrar o galho” numa demanda de defesa pessoal, mas suas características meramente estéticas logo se revelam, na deterioração prematura, nas quebras fáceis e principalmente na potência muito aquém da prometida. Não existe esse negócio de milhares de lúmens alimentados por pilhas AAA ou AA. Reforçando, podem ser utilitárias boas e estilosas, mas não são genuínas lanternas táticas. Esperamos que este pequeno ensaio convença você a respeito e ilumine a questão um pouco mais.


No mesmo sentido do parágrafo anterior, muito cuidado com lanternas oferecidas por “grifes táticas”, isto é, por marcas conhecidas, respeitadas e de boa qualidade que fabricam vestuário, bolsas, calçados e que vendem – com sua marca – artefatos estranhos à sua linha de produção própria, como lanternas, sprays, etc. Óbvio que esses artefatos são adquiridos e revendidos com a marca famosa estampada. Neste caso, se você for fã de certas marcas (como nós somos), procure saber se o produto realmente apresenta as características de qualidade, potência e construção de uma verdadeira lanterna tática.



O que elas têm que as outras não têm:


Poder, muito poder é o que elas têm. Basicamente, os “ingredientes” das boas lanternas utilitárias e das táticas são os mesmos; o que faz a diferença é a qualidade dos componentes e a tecnologia de construção. E quais seriam as características de uma autêntica lanterna tática? Bom, vamos a uma breve descrição:



a) Rusticidade


Lanternas táticas, por mais sofisticadas em tecnologia que sejam devem ser pau pra toda obra, com alta tolerância a falhas, resistentes às intempéries, aos uso intenso e a “maus tratos”, NÃO podendo estar sujeitas a condições especiais de utilização, nem comportar fragilidades em seus componentes; têm que ser “brutas” e sem frescuras! Vejamos:


Corpo de alta resistência mecânica – Via de regra são feitas com ligas metálicas compatíveis com altos esforços, com destaque para ligas de Alumínio anodizado ou com pintura especial. Existem umas poucas fabricadas em polímeros de alta resistência, as quais não recomendamos (opinião pessoal) como lanterna de uso principal, especialmente se a potência real da mesma for muito alta, considerando que lanternas táticas “estabelecidas” (com cerca de 1000 lúmens) geram bastante calor. Claro que polímeros como Poliéster, em algumas de suas composições suportam temperaturas de mais de 100 graus célsius sem que (em curto prazo) alterem suas características. No mais, entendemos que o principal problema do uso polímeros para fabricar lanternas é a baixa dissipação de temperatura, quando comparados às ligas metálicas. E o aquecimento, conforme o tempo de uso contínuo da lanterna, pode deteriorar os componentes susceptíveis ao excesso de calor, como a bateria, circuitos e vedações. 


Resistência à água – Devem ser à prova d’água, suportando chuva e submersão em profundidade e tempo bem definidos. Esta característica é normatizada pelo famoso ANSI - American National Standards Institute, através das normas IPX7 (equipamento que suporta submersão de um metro por meia hora) e IPX8 (submersão contínua por mais de um metro de profundidade).


Resistência a impactos – O parâmetro de referência são as quedas, comumente consideradas de cerca de um metro de altura sobre piso de concreto, sem que haja danos ou quebra. Vale mencionar que esta característica é muito importante, considerando que muitas lanternas também são armas contundentes.



b) Simplicidade de operação


A maioria das lanternas táticas respeitáveis oferece opções de ajustes da luminosidade. Luz com intensidade variável, estroboscópica, com memória para modo preferido… Isto é para que a lanterna tenha mais utilidade diária, além do uso como armamento, aproveitando melhor a autonomia da bateria. Mesmo com tantas opções e benefícios o fundamental é que o acionamento da lanterna seja simples.


Não se deve considerar "tática" uma lanterna só porque tenha alta potência. Em termos de operação e acionamento há modelos utilitários compactos e potentes, que ligam e desligam torcendo alguma parte do corpo da lanterna, o que reduz a agilidade no acionamento.


Ainda quanto à simplicidade de operação, mais um “recurso” complicador e que deprecia a confiabilidade da lanterna é aquela regulagem telescópica de foco que algumas lanternas (a maioria “xing-ling”) apresenta. Você espalha ou concentra o foco deslizando a parte dianteira da lanterna. Lembre-se de que muitas lanternas táticas são – além de objetos luminosos de alta intensidade – armas contundentes. Ora, se a bagaça tem uma parte deslizante que tipo de arma sólida e confiável ela será? Pois é...



c) Autonomia


É o tempo de uso com carga plena de bateria em boas condições operacionais, que nas lanternas com ajustes de luminosidade vem especificado pelo fabricante. Lembrando que a energia acaba mais rápido nos modos mais intensos, que são voltados para defesa ou situações que exijam mais luz, e dura mais (às vezes bem mais) nos modos de baixa luminosidade.


Um conselho que vendemos a você é: Se comprar uma lanterna para fins de defesa pessoal e situações de emergência, considere como norma usá-la sempre na “alta”, ou seja, com toda potência, no modo “turbo”, com luz de “estrobo”, enfim, no que ela tiver de mais forte e agressivo em termos de emissão de luz. Assim recomendamos para que você não seja apanhado de surpresa por uma regulagem “econômica”, que você esqueceu de mudar, ou com a bateria já consumida pelo uso utilitário. Para uso geral adicione mais uma lanterna (comum) ao seu EDC, à sua bolsa, etc, podendo esta funcionar com pilhas comuns. Uma bateria extra também vai bem. Lembre-se: lanterna tática PODE ATÉ SER utilitária, mas antes de tudo É ARMA; logo, respeite-a e trate-a como tal.



d) Fonte de luz adequada


Podemos seguramente afirmar que lanternas de pequenas dimensões ganharam status de armamento quando os LEDs de alta intensidade se tornaram padrão de indústria. Antes disso, não havia fonte luminosa que emprestasse às lanternas a tão apreciada potência. Ora, aquelas “lampinhas”, por mais fortes que fossem nem de longe se comparam ao poder e à durabilidade do LED, que pode ser organizado em matrizes com várias unidades, alcançando luminosidades espantosas. As velhas lâmpadas também ficavam devendo na resistência a “trancos” e intempéries…



e) Potência


A boa literatura online (que não é facilmente encontrada na pobreza informativa da internet brasileira, onde uns repetem os outros) informa que a potência mínima de uma lanterna tática propriamente dita situa-se próxima aos 250 lúmens, emissão eficaz contra os olhos de um eventual oponente. Já o máximo de força de uma lanterna depende da sua necessidade, da portabilidade e, sobretudo, do poder de seu bolso.
Reforçando: Nunca, jamais e de maneira alguma confie em lanternas que prometem milhares de lúmens por uma merreca de grana; é papo furado; uma lanterna monstro, tipo a Imalent DX80 (32.000 lúmens) custa mais de U$300.00, pode ter certeza!



Aprofundando um pouco mais

Assuntos técnicos costumam ser chatos quando não se casam com nossos interesses, porém saber um pouco mais não custa, previne equívocos e nos dá mais liberdade de escolha em tudo; por isso sugerimos mesmo aos “não-nerds” que se familiarizem com manuais de instrução, fichas técnicas e históricos de utilização do que quer que seja que venham a adquirir. Voltemos ao assunto…


Desdobrando o conceito geral de potência, para que performance da lanterna fique melhor compreendida, consideramos como base as normas ANSI (American National Standards Institute) que, salvo engano quanto à data, estabeleceram normas para lanternas no ano de 2009, as quais foram adotadas internacionalmente por fabricantes diversos:



a) Saída (light output) – Numa definição extremamente simplificada, é a famosa e popular medida em lúmens, que indica a “quantidade” de luz emitida pela fonte.


Definindo com o jeitinho sutil da Física seria algo como: Unidade de fluxo luminoso adotada internacionalmente, definida como fluxo luminoso emitido por uma fonte puntiforme com intensidade uniforme de uma cândela, contido num ângulo sólido de um esferorradiano.



b) Intensidade máxima do feixe no espaço (peak distance) – Representa a intensidade máxima da emissão luminosa considerando-se a direção e a distância. A unidade de medida é a cândela.


Falando em "fisiquês": Cândela é a intensidade luminosa, numa dada direção, de uma fonte que emite uma radiação monocromática de frequência 540x1012 hertz e que tem uma intensidade radiante nessa direção de 1⁄683 watt por esferorradiano.



c) Alcance do feixe luminoso (beam distance) – Medida em metros da distância máxima que a mais intensa parte do feixe consegue iluminar.



d) Autonomia (run time) – É o tempo gasto para que a luz de 100% emitida na saída caia para 10% da luminosidade em uso contínuo.



O que mais é interessante saber?


Portabilidade – Tamanho é importantíssimo definir. Em se tratando de EDC, bolsas femininas e bolsos, não faz mal adotarmos como regra maior potência possível em menor tamanho. Sem dúvida, uma lanterna de 1000 lúmens que cabe no bolso confortavelmente não é nada mal. Mulheres preferem itens em versão compacta para carregar na bolsa, não é mesmo? Potência e portabilidade!



Fonte de energia – Enquanto lanternas utilitárias contam com variada gama de pilhas e baterias, equipamentos de alta performance demandam baterias bem mais fortes, que atendam a maior exigência energética. Lanternas táticas estão na categoria dos dispositivos de alta drenagem (high drain devices), por isto é comum que usem baterias modelo 18650 e outras do tipo (recarregáveis, valem mais a pena), ou CR123A (o par; mais caras).



Borda em bisel – Muitos modelos têm uma borda em ressalto, ou dentada, cuja função é dar porrada. Sim, para bater! Certos fabricantes afirmam que a borda é para “quebrar vidro de carro em caso de emergência”. Muitos canivetes têm uma peça em ressalto, no fundo, com o mesmo pretexto, “quebrar vidro”. Nas facas a coisa é mais assumida, sendo a tal protuberância chamada “skull crusher” (quebra crânio). Quebrar vidro… de carro, ainda… muito fácil na imaginação… experimente romper um desses vidros temperados ou laminados de carro.



Calor – Lanternas bacanas, batutas mesmo, com aquele corpo super de Alumínio, dissipam bem o calor e prometem desligar automaticamente depois de certo tempo, para evitar superaquecimento. Ainda não passei por um desligamento automático de lanterna, mas boto fé que ocorra antes de fritar...


Palpites e opiniões leves sobre algumas marcas

Antes de falarmos um pouco sobre marcas bacanas e estabelecidas, que tal combinarmos umas coisas?


1) Assumimos que lanternas táticas de verdade se encaixam nas descrições feitas até agora, o que pode ser confirmado pela literatura confiável na web (sites de outros países).


2) Sob o aspecto da luminosidade, consideramos como propriamente táticas aquelas cuja potência seja de 300 lúmens para cima, pelo acentuado efeito contra a visão do oponente.


3) Que o amigo leitor, com seu conhecimento e experiência, nos agracie com a ampliação de tudo o quanto foi dito aqui e da listagem a seguir; assim nós também poderemos aprender mais e deixar mais conhecimento disponível a todos.



Bom, dentre um razoável universo de fabricantes escolhemos citar os seguintes:


Olight – Amamos esta marca, que consideramos só virtudes com boa relação custo x benefício. Robustas e bem construídas, a marca conta com grande variedade de modelos, para todos os gostos, necessidades e bolsos. Atualmente, as nossas são Olight.



Sucessora da M1X Striker, esta é a Olight MR2 Warrior Pro - 1800 Lúmens

Para a amada "garrucha" - Olight MR2 Valkyrie PL2 Mini


Surefire – Antiga e estabelecida, marca de enorme prestígio que arriscamos reputar pioneira na produção de lanternas táticas como conhecemos. Produto fino. Se quer uma Surefire com precinho camarada…, pode esquecer.

Surefire Fury DFT - 1500 Lúmens



Nitecore – Vários modelos de lanternas e carregadores. Custo interessante. Até agora só vimos falarem bem da marca. Está na lista…


Nitecore P12 - 1000 Lúmens

Maglite – Veterana no mundo das lanternas de qualidade, conhecida pelos mais filmes mais antigos como aqueles lanternões usados por policiais, a marca não tem destaque no plano das lanternas táticas, contando com não mais de dois modelos que se aproximam da proposta aqui tratada. A Maglite decaiu do prestígio, igual telefones Nokia…


Maglite MAG TAC - 671 Lúmens (671...? Que número mais exótico, não?)

Fenix – É outra muito interessante, ao lado da Nitecore. Lanternas bacanas e bem reputadas, acessórios, baterias… Também está na lista.

Fenix PD36R - 1600 Lúmens


Imalent – Vai lá dar uma olhada. Ficamos até emocionados com o que esta marca oferece. Vai lá ver! Já está incluída no topo da lista para a próxima aquisição.



Imalent DM21C - 2000 Lúmens (tá no topo da lista)


Não poderia deixar de mencionar: Imalent DX80  - 32000 Lúmens
Ainda vou ter uma bagaça dessas! Que doideira! Olhem os reviews no YouTube.

Encontramos ainda outras marcas bem reputadas pelos sites especializados, embora nenhuma referência anterior tenhamos tido sobre as mesmas: Jetbeam, Lumintop, Klarus, Streamlight, Pelican…


Jetbeam JET2M - 1100 Lúmens

Lumintop ED20T - 750 Lúmens (tá na lista)

Pelican 7600 - 944 Lúmens (não sei o que dizer, mas tem uma cara boa...)


Labirinto das baterias


Anote aí: 18650. Este é o modelo das baterias de Lítio para a maior parte das lanternas táticas e para outros dispositivos de alta drenagem energética. Basta comprar uma e sair por aí iluminando tudo, não é mesmo? Mais ou menos isso...


O universo das baterias é um dos campos de forte atuação dos fabricantes mais obscuros, falsídicos e picaretas deste planeta. Em busca de uma boa bateria 18650 o que há de mais fácil é levar gato por lebre, pois é muito difícil saber qual bateria é boa e, dentre as de boas marcas, se é falsa ou não. Isso é causa de preocupação, mas não é coisa invencível, porque tanto as baterias falsas, quanto aquelas que (descaradamente) prometem muito e entregam pouco não deixarão de acender sua lanterna. O mais provável é que sua lanterna não chegue ao máximo desempenho luminoso, nem a autonomia de uso prevista. Ou seja, baterias de araque são, antes de mais nada, fracas. 


A começar pelo preço você pode perceber que algo está fora de ordem. A média de valor unitário de uma honesta bateria 18650 é cerca de U$ 20.00 nos bons fornecedores externos; logo, aqui nas terras tupiniquins, a mesma honesta bateria pode chegar a uns R$ 80,00, um pouco mais, um pouco menos. As baterias “xing-ling” são facilmente encontradas com preço a partir de R$10,00. E nessa história de preço, o que não faltam são fornecedores pilantras que vendem falsas pelo preço das verdadeiras.


Se você vasculhar a Internet em busca de informações para separar o joio do trigo, encontrará muita coisa útil. O YouTube é rico no assunto e pode ajudar muito.


Nos vastos domínios da fuleiragem que predomina no mundo das baterias, além dos falsários (que atentam criminosamente contra as marcas decentes) existe a fauna dos nebulosos fabricantes de “super baterias”, cujas potências sobrenaturais circundam a órbita de descarados 8000, 9900, 12000mAh (miliamperes-hora) e até mesmo espantosos 26500mAh! E tudo por preços entre dez e vinte reais. Essa força toda deve ser real em algum outro ponto da galáxia, mas aqui não passa de lorota. As baterias de boa procedência e boas marcas anunciam, quando muito, coisa de 4000mAh e um pouquinho mais. A média anunciada fica entre 2600 e 3200mAh. Mas elas entregam energia dentro do esperado, ao contrário das “poderosas” que nem passam perto, apesar dos números pomposos.


Direto das trevas industriais para nossas lanternas, por "apenasmente dez real"

Duas palavrinhas antes de encerrarmos o texto: 1) Baterias de Lítio carregam frias. Logo, se a sua esquentar durante a carga, algo está errado; melhor descartar. 2) Elas gostam de explodir quando invertidas no carregador, ou, como preferem dizer os fabricantes, elas podem “abrir em chama”.


Algumas marcas sérias (propaganda gratuita): Samsung, LG, Sony, Olight, Nitecore...

Link muito útil: Como identificar e escolher uma bateria 18650 original.


Por enquanto é só. Esperamos que gostem do texto.


Até a próxima! Forte abraço! Mabuhay!














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