sexta-feira, 24 de maio de 2019

Sobre defender-se de ataques com lâminas.


Uma certeza que muitas pessoas carregam, dentre elas muitos profissionais de segurança, é de que é fácil se defender com êxito de um ataque com lâmina. As crenças em torno de toda essa “facilidade” se apoiam nos mais variados motivos, dentre os quais seja porque o indivíduo “sabe lutar”, seja porque “pratica artes marciais”, seja porque “também anda com uma faca”, seja porque é “campeão disso e daquilo” e, o pior, seja porque porta uma arma de fogo que é “superior a uma reles faquinha”. Não importa qual seja a justificativa para achar que dá conta de enfrentar com sucesso uma agressão com lâmina, pois, no fim, quase todas são “certezas” subjetivas, opiniões superestimadas sobre si mesmo, e subestimadas a respeito do potencial letal das facas (e outros objetos cortantes, perfurantes e perfurocortantes).


No fundo, no fundo, todo mundo tem esperança em algo assim. Bom, se a faca não chegar primeiro, tudo bem...


Contra cada argumento que sustenta concepções errôneas há uma razão que os desmente. Não cabe aqui desfiar os mesmos, pois não é o objetivo deste texto, mas vamos lembrar de apenas um motivo que vale considerar, qual seja: A faca está sempre pronta para uso, pois não precisa de munição, funciona sem energia, trabalha sob qualquer condição climática e meio, não dá pane e é absolutamente controlável pelo operador. Isto mesmo. A faca só não é autônoma porque não tem vontade própria.

Faca funciona sempre, não resta dúvida. Esta aqui é a cara das nossas trainers... A propósito, ainda temos algumas. Quem quiser é só falar. :D

Reforçando um pouco mais nosso humilde arrazoado sobre a ilusória “facilidade” em se defender de um ataque com lâminas portáteis, vamos esticar um pouquinho sobre a controlabilidade da faca, com o intuito de ampliar o respeito e desmontar a valentia que possa suscitar o suicídio dos mais exaltados e “aptos”, em caso de um eventual encontro hostil. Vejamos... 

Quando dissemos que a faca é absolutamente controlável nos referimos, primeiramente, à versatilidade técnica com que pode ser usada. Até aí, tudo bem. Agora, quando paramos para pensar na controlabilidade sob o ponto de vista dos resultados que uma faca pode produzir, a coisa pesa, porque somos obrigados a considerar lesões nas quais ninguém gosta de pensar, tais como amputações, esfolamentos, perfurações oculares, seccionamento longitudinal de músculos (o famoso “bife”, especialmente nos braços e antebraços, cortando fundo no sentido do membro em direção ao osso), cortes na traqueia (que vai engasgando e enchendo as vias aéreas de sangue numa horripilante asfixia), eviscerações, dentre outros pavores, compreendendo ainda a possibilidade de cair incapacitado por um ferimento e sofrer todo tipo de tortura com a faca, que em mãos cruéis pode terminar seu trabalho lenta e dolorosamente. Pense nisto... Pense nisto, enquanto aprecia a pequena galeria de horrores abaixo do texto.

Obviamente, num plano amplo de pensamento, uma gama mais ou menos extensa de fatores norteia as possibilidades de uma boa e efetiva defesa em moldes realísticos. Esses fatores são, digamos, estratégicos, mais ligados à conduta geral do que à ação, que vão desde a óbvia e altamente eficaz boa educação e calma no trato com o próximo (sob qualquer circunstância), passando por uma boa seleção de onde se frequenta e com quem se anda, evitando-se o uso de drogas, abstendo-se ou moderando no consumo de álcool, não motivando desentendimentos banais, não querendo ser esperto(a) demais e por aí vai. Se isto que dissemos não for válido, conteste, mas mostre que estamos equivocados.

Já, num plano mais restrito de pensamento, para uma boa defesa devem ser considerados fatores, digamos, táticos, ligados ao comportamento imediato, ao conhecimento, ao treinamento. Frutos de desenvolvimento físico, emocional e técnico, esses fatores incluem toda sorte de aquisições em termos de habilidades, força, destreza, qualificação no manejo de uma (pelo menos) ou várias espécies de armas, capacidade de avaliação (ainda que superficial) de ambientes e pessoas, senso “preditivo” (não se trata de adivinhar, porém de “contar com...”, “estar preparado(a)” para o pior, ou, como diriam os antigos estóicos, “premeditar os males”) e treinar, treinar, treinar… E treinar não apenas para criar novos condicionamentos (erroneamente chamados “reflexos” e “memória muscular”), mas sobretudo para desenvolver a consciência do que se faz, do que se deve fazer e até das ditas “reações”. A lucidez deve coroar todo treinamento.


Daria para detalhar essa educação para a vida diária (que costumamos chamar de senso tático) em grandes volumes de texto, convocando para compô-los uma variada gama de experts (verdadeiros, não os da televisão), mas não é o escopo destes poucos parágrafos. Aqui pretendemos apresentar uma ligeira visão, nova ou conhecida dependendo de quem lê, de caráter essencialmente prático, ou seja, como se portar, o que fazer, o que evitar…

No Kali 1307 prezamos a simplicidade eficiente. Em se tratando de vida ou morte o simples e bem estruturado se sobrepõe a outros conceitos, por mais quem estes possam se mostrar “impressionantes” ou “poderosos” à primeira vista. Porque não há situações perigosas ou francamente violentas onde vamos enfrentar múmias, lesmas, tartarugas, ou bichos-preguiças. Aqui, na nossa ignorância, consideramos que todos os eventuais agressores são móveis, ágeis, fortes, duros, espertos, instruídos (tudo isto junto) e por este motivo não nos deixam executar contra eles aquela técnica “fodona” e repleta de firulas. Não, definitivamente não dá para fazer “isto-mais-isto-mais-aquilo” quando o pau quebra, quando as coisas explodem em violência. É “1” e acabou, ou “1 e 2” e acabou, ou, na pior das hipóteses, “1, 2 e 3” e acabou. Assim pensamos, assim pregamos, assim treinamos e assim compartilhamos, certos de que a influência determinante deste nosso entendimento é o Pekiti Tirsia Kali, a nobre arte que nos abriga.

Em breve o Kali 1307 oferecerá cursos e workshops voltados para defesa pessoal contra e com lâminas, dentre outros, todos com treinamento intenso e foco na sobrevivência.

Mantenha contato! Junte-se a nós! Obrigado e um forte abraço, amigo leitor!

Mabuhay!

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Pequena Galeria de Horrores abaixo do texto.


Estas fotos de extremo mal gosto são meras ilustrações do que dissemos parágrafos acima. Uma lâmina, sob força e aceleração corta e perfura produzindo espantosa variedade de danos. Se dói um ferimento de faca? Sempre aparece um para dizer que "nãaaaao, o sangue está quente e você não sente..." Ora, isto é uma meia-verdade tão fraca que chega quase a ser uma mentira integral. Lembra da última vez em que você se cortou e não doeu...? E, diga lá: Por acaso você já levou um soco, chute, ou algum impacto um pouco mais forte no abdômen? Pois é, os socos e os trancos mais comuns são impactos em baixa velocidade, baixa aceleração, baixa energia... Lembra da dor sentida no estômago, rim, etc? Pois é... Facas sempre operam em baixas velocidades (comparando com projéteis de arma de fogo ou de arremesso), logo, quanto à dor...

Vejam só e concluam se procedem as nossas palavras...











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