segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Pará de Minas - Segundo seminário Pekiti Tirsia Tactical Association

Turma boa, produtiva e proativa é algo sensacional! Já parou para refletir e admirar o quanto é bacana quando alguém enxerga o valor do conhecimento e parte em sua busca? É realizador e gratificante a certeza de que o saber que se adquire há de contribuir para uma vida mais iluminada, ampliada em possibilidades, dotada de novos "poderes" e habilidades...

O que acabamos de dizer se aplica à nossa galera de Pará de Minas, que evolui sob a competente coordenação do Instrutor Maurício Rabelo. No último, 21 de outubro de 2018, mais um seminário curricular foi realizado lá, o "Evolution2". O propósito continua a ser o aperfeiçoamento e o acréscimo de conteúdos PTTA/PTK, de modo que o desenvolvimento se mantenha em bom ritmo e alta qualidade.


Seminários curriculares x Cursos específicos

Aproveitamos o ensejo para esclarecer que seminários curriculares têm finalidades evolutivas (para quem já treina), refinando o conhecimento já adquirido e os aumentando. Inclusive, esses eventos ajudam na obtenção de ranking no sistema, porque as graduações entre nós não se dão por fastidiosos e questionáveis* exames, mas pelo acompanhamento constante do estudante, observado o seu desenvolvimento técnico, participação, envolvimento, boa conduta na vida,confiança, interesse e apoio aos que dão os primeiros passos na arte, espírito de união verdadeira, amor ao conhecimento; enfim, espírito de família. Vá a quantos puder, pois os seminários só fazem bem.

Também há seminários de introdução. Como a própria expressão indica, visam apresentar a magnífica arte, de modo que os presentes possam vivenciá-la na prática. Esses eventos não são apenas noções para potenciais estudantes, pois neles são lançados alguns importantes fundamentos, que fazem bastante diferença para aqueles que decidem pela iniciação no Kali.

Os cursos são outra proposta. Abertos ao público, ou voltados para públicos específicos; isolados ou sequenciais, costumam ser oferecidos por temas ou disciplinas que contemplam certas habilidades ou necessidades específicas, manejo de determinadas armas, contenções, etc. Os cursos, em geral, têm natureza extracurricular, podendo conter disciplinas e/ou abordagens diversas do currículo oficial, correndo conforme doutrinas, formas e conteúdos outros, afins ao K1307, sendo por isso certificados exclusivamente por esta organização. Há, também, cursos ofertados sob a égide do PTK/PTTA, sendo esses assinalados e promovidos como tal.

Voltando ao tema deste artigo, o segundo seminário em Pará de Minas foi marcado, ainda, pela franca participação dos recém autorizados instrutores, os Srs, João Pedro e Walister, que tiveram a oportunidade de colocar em prática sua expertise num evento desafiador, que contou com estudantes bastante exigentes, de ascendências marciais e experiências variadas. Mandaram muito bem!

Para terminar, nossos mais sinceros agradecimentos à Prefeitura Municipal de Pará de Minas pelo gentil e imediato apoio para a realização do evento.

Desejamos ainda mais progresso a todos! 
Forte abraço! Até a próxima! 
Mabuhay!

A medida é para manter as cabeças no alcance das armas. O incentivo à boa execução é maior assim... :D
 

Nada melhor que um facãozinho real para ajustar certos detalhes. Como dizemos no K1307: "O facão corrige".

O Maurício só escolhe bons lugares. Dentro, um ginásio ótimo. Fora, um espaço arborizado. Pangamut à tarde.


Da esquerda para a direita: Srta. Júlia (a mais jovem integrante do Kali 1307; muito talentosa e promissora); Instrutor Maurício Rabelo; Sr. Luís (pai da Júlia e exemplo de habilidade e dedicação aos treinos).



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*Não condenamos exames, pois fazem parte das honrosas tradições de muitas artes marciais. Todavia, os reputamos questionáveis, porque seguem a mesma mecânica do "estudar para a prova", "estudar para passar", que não costuma responder à verdade em face do conhecimento efetivamente adquirido. Quem quiser contestar que o faça, porém, primeiro responda o porquê de tanta incompetência e inépcia entre tantos dos que "passaram" seja lá em que for...







terça-feira, 23 de outubro de 2018

Pencak Silat Panglipur - Uma arte irmã. Um tesouro a ser conhecido.

Aqui no K1307, como enunciado em nosso perfil institucional, abrimos espaço para artes correlacionadas ao Kali, tipicamente voltadas para o combate. O Pencak Silat Panglipur, capitaneado pelo pioneirismo do Kang Luiz Metzker é exemplo vivo de nossa postura. Temos a honra de, como simples estudantes, integrarmos a primeira turma da Escola Panglipur na América Latina. Alguns membros do Kali 1307 têm treinado regularmente e atestado visível enriquecimento em seu cabedal marcial. Como costuma dizer o Kang Luiz, "o Pencak Sital e o Kali são artes irmãs" e, de fato, as semelhanças e conexões entre ambas são surpreendentes, surpreendendo mais ainda a diversidade e a originalidade com que os conceitos parecidos se apresentam, O Panglipur é um tesouro a ser explorado. Vale a pena aprender.

No dia 14 de outubro de 2018 o treino foi ministrado na nossa querida praça. Técnicas tradicionais de Karambit e Sarong foram os objetos do treinamento, que foi muito proveitoso e admirado pelos participantes.

Quem desejar conhecer e iniciar a caminhada por essa incrível arte, pode falar com o Kang Luiz:

Luiz Metzker
55  31  99942.4232 (Telefone/WhatsApp)
Pencak Silat Panglipur Brasil (Facebook)
@metzker90 (Instagram)

Agradecemos à fotógrafa Marina Nolibos pela cessão das fotos para este artigo.

O que um "paninho sem vergonha" pode fazer contra mim? Uma pressão descomunal e um trapping invencível, certamente.

Quando a execução da técnica termina, aí sim, você tem a resposta completa... Técnica de sarong: Top!
Está faltando você nesta foto. Venha para a próxima!



quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Equipamento de treino - O basicão.


Ainda não nos deram notícia de que alguma outra arte de combate leve o adepto a juntar tantas "quinquilharias" quanto as Artes Marciais Filipinas. É bastão que nunca é o bastante; é faca de todo tipo: grande, pequena, fio duplo, neck knife, canivete, karambit fixo e dobrável, dulo-dulo, soco inglês (buku lima), lanterna tática, push dagger, chicote, machado, tomahawk, sjambok, kukri, golok, barong, facão (facão corrige), black jack, facas que dão choque, armas de fogo. Tudo em versão de treinamento, obviamente. É tranqueira que não acaba mais.

Verdade; sempre queremos um pouco mais de material. Isso é bom, especialmente se você almeja se tornar um(a) instrutor(a). Mas você não precisa entrar numa de virar um(a) tarado(a) com equipamentos, embora essa tendência vá surgindo na medida que seu conhecimento e sua habilidade vão aumentando. Hahahaha! Isso, também, não tem nada de mal, só o peso da bolsa.

Se você é “meio” mão de vaca, ou imune às tentações, pelo menos em termos de material de treinamento você pode se ater ao mínimo indispensável.

Considerando que você resolveu treinar para valer e progredir, o básico é:


- Uniforme: Camiseta da Família K1307; uma ou duas (ou até mais, pra não ter de lavar todos os dias).

- Bastões: Um par. Sim, um par. Lembre-se que o Kali tem os chamados sinawallis e outras técnicas com uso de duas armas.

- Facas: Duas. Qual o tamanho? O adotado como padrão, normalmente cinco polegadas, o tamanho médio das facas de combate militares. Nem grande, nem pequena, mas apta a desenvolver o senso correto de distâncias e exatidão de movimentos.

- EPI (Equipamento de Proteção Individual): Óculos de proteção. Aqui, no Kali1307, os óculos de proteção são os únicos materiais obrigatórios. Somos meio “old school” e nossa filosofia tem fortes e convincentes razões para que você evite treinar de “armadura” (por crer que “blindado” você poderá treinar “realisticamente”). Porém, não saia por aí achando que qualquer tipo de óculos serve. Clique aqui e descubra quais tipos de óculos...

Fechou. Com esse basicão você está com equipamento completo para cobrir todas as fases do aprendizado. Claro que, na medida em que você cresce, como dissemos antes, vai querer aprender e se aperfeiçoar no uso de outras armas. Aí começa a coleção de “brinquedos”. Vá adquirindo aos poucos, mas aprenda de tudo.

Siga em frente com alegria, ânimo e dedicação! Seja rica a sua jornada pelo Kali! Ótimos treinos para você!

Mabuhay!


Certamente, você ainda não tem uma bolsa dessas. Mas há de ter...  Hahahaha!


EPI - Os zóco que nos protege os zóio

Por motivos óbvios, assunto comum em nosso meio é equipamento de proteção. Embora o Kali não seja uma arte feita de “porradas certas e obrigatórias” – a exemplo do Boxe e o Muay Thai, onde o uso de protetores de cabeça, boca, luvas e caneleiras são fundamentais para o treino seguro – é altamente recomendável o uso de algum equipamento de proteção, afinal, ser atingido por armas (ainda que por um levíssimo bastão de rattan) costuma ser bem mais danoso que levar um soco.

E nessa questão do “o que usar”, o que não faltam são visões diferentes, todas válidas, variando a filosofia de cada grupo de praticantes.

Aqui, no Kali 1307, depois de usarmos um pouco de quase tudo (capacetes, protetores de braço, luvas de diversos tipos, protetores de tórax…) concluímos que o que nos serve mesmo são os óculos de proteção, daí serem obrigatórios no kit de cada um. Os motivos de não adotarmos outros equipamentos? Todos de ordem prática, fundados numa filosofia simples. Pense um pouco e chegará à compreensão…

Há quem goste de usar luvas, para evitar bolhas e calos nas mãos. O autor deste texto costuma usar, de vez em quando, para evitar eventuais escoriações e “bifinhos” de pele arrancados por eventuais esbarrões (o que não ocorre sempre). Às vezes, num drill de bastão a mão leva um ou outro toque (toque é eufemismo), aí o amigo Cataflam spray resolve… Bom, óculos são o mais importante

Todavia, nem todos os óculos EPI se prestam às nossas práticas. Por que? Por dois motivos simples, quais sejam material de composição e/ou design impróprios:

- Assim, não prestam se não forem feitos de material como policarbonato ou outro polímero de alta resistência e tenacidade. 

- Não prestam aqueles com design aberto, sem fixação robusta de lentes, com bordas desprotegidas (podem cortar ao redor dos olhos), os que ficam colados nos olhos, dentre outras fragilidades. 

Informe-se sobre a marca, certificado (CA) e escolha o seu, lembrando-se que é um acessório de grande importância antes de tudo; estética vem é o que menos importa.


Vejamos alguns exemplos:


1. Óculos de ampla visão - Os ideais para nossos treinos. Em geral têm excepcional resistência, protegem totalmente os olhos (e parcialmente o nariz) e podem ser usados sobre óculos de grau. 



2. Óculos pequenos e estruturados - Servem para nossos treinos. Têm alta resistência, protegem satisfatoriamente os olhos. Alguns são dotados de lentes escuras e podem ser usados como óculos de sol. Outros são espelhados, chamados "in/out", servem tanto para o dia claro, quanto para a noite. Observem os visíveis detalhes de construção e design.



Modelo feminino.


3. Óculos impróprios - Não se prestam para nossos treinos. São óculos de "laboratório", ou voltados para proteção contra pequenas partículas volantes e só. Sob impacto direto partem nos mais variados e perigosos locais, cortando, perfurando ou contundindo seriamente os olhos. Observem os detalhes de construção e design.





Há quem confie nesta coisa... Eu, não!




sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Honrando a Casa


Neste mês de Setembro de 2018, nossa amiga Natália, ora residente na Espanha, participou de um grande evento Pekiti Tirsia Tactical Association, conduzido pelo Tuhon Jared Wihongi e três grandes expoentes do PTK, o Agalon Mickael Dolou (agora Mandala, parabéns Mickael), Mandalas Kit Acenas e Eric Laulagnet.

Para nós aqui é um grande orgulho, pois “Nathy” não é uma apenas uma estudante PTTA/PTK. Ela faz parte dos fundadores do Kali 1307, e desde os primeiros passos sempre mostrou dedicação e amor pela arte. Desde que se mudou para a Europa não tem medido esforços para prosseguir treinando.

Parabéns, Nathy! Forte abraço!

Mabuhay!




É... A Nathy tem razão... Por aqui ninguém tem um desse. Hahahaha!


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Primeiro Seminário Pekiti Tirsia Tactical Association em Pará de Minas


No último domingo, 16 de Setembro de 2018, tivemos a honra e a alegria de realizar o primeiro seminário curricular na cidade de Pará de Minas, para a turma conduzida pelo Instrutor Maurício Rabelo (que atua, também, nas cidades de Itaúna e Pitangui).

A turma se reunindo no Parque do Bariri, em Pará de Minas. Local super bacana para treinos ao ar livre.
À esquerda, o Instrutor Maurício Rabelo e os recém graduados senhores Walister e Eduardo. Ao centro as girls e à direita quatro marmanjos. Galera boa de serviço!

A turma é recente, contando com pouco mais de três meses de existência. Porém, o que vimos não foi um grupo amorfo e desconectado. Vimos estudantes caminhando com desenvoltura e segurança. Indivíduos atentos, dedicados e competentes, do tipo que tem “sangue nos olhos” o bastante para acompanhar, com visível aproveitamento, seis horas de trabalho quase ininterrupto, conteúdo massivo e exercícios intensos, alternados por algumas curtas preleções versando sobre princípios, detalhes e ajustes finos na execução das técnicas. Chamamos o evento de “Evolution” por óbvias razões de acréscimo de conteúdo curricular e refinamento de alguns aspectos do conteúdo já ministrado pelo Sr. Maurício. Ótimo desempenho da turma: Mérito dos alunos. Mérito do excelente instrutor.


Começou cedo. Sem "aquecimento". Sem perda de tempo. E sem refresco. Seis horas de treino...
Aproveitamos o ensejo para promover três dos mais antigos, dedicados e experientes membros do Kali 1307 ao ranking de Yakan Dalawa, os senhores Eduardo, João Pedro e Walister que, ainda, por comprovada experiência, capacidade técnica e talento na transmissão de conhecimento aos demais estudantes (e por assim desejarem, tendo para tal passado pelos devidos refinamentos) receberam o grau de Authorized Instructor Team Leader, conforme a autoridade a nós outorgada pelo Tuhon Jared Wihongi, a quem agradecemos (mais uma vez) pela confiança depositada em nosso humilde trabalho em prol da nobre casa Pekiti Tirsia Tactical Associaton.

Parte da tarde... Pangamut. Faca de manhã. Bastão e mãos vazias após o almoço. 

Firmes, fortes e ferozes. Exemplos de determinação e tenacidade. Parabéns, garotas!


Obrigado e parabéns a todos!

Em breve, muito breve, mais um encontro: Evolution2. Porque o refinamento deve ser constante.

Mabuhay!


quarta-feira, 20 de junho de 2018

Segundo Seminário Pekiti Tirsia Tactical Association Itaúna MG


Neste último final de semana, 21 e 22 de abril de 2018, o Kali 1307 realizou seu segundo seminário em Itaúna Minas Gerais. O evento ocorreu no grande ginásio do Complexo Esportivo da Universidade de Itaúna, gentilmente cedido para o encontro. O conteúdo ministrado foi curricular em sua maior parte, seguindo a grade PTTA para o primeiro nível do ranking. Os participantes, em sua maioria, já estiveram conosco em eventos prévios, realizados a partir de 2016; no interesse destes restou voltado o trabalho de padronização técnica. Para os novatos o seminário representou uma experiência produtiva de primeiro contato com o Pekiti Tirsia Kali.

Agradecemos efusivamente e de todo coração à Universidade de Itaúna, nas pessoas dos senhores Faiçal David Freire Chequer, Faiçal Chequer Filho, José Lúcio e Vinicius Camargos da Fonseca, sem os quais não teríamos disponível o portentoso espaço do Complexo Esportivo para realização de nosso pequeno evento. Foi uma tremenda honra para nós!

Aproveitamos o ensejo para aferição final do estudante Maurício Rabelo, aluno exemplar e dedicado desde os primeiros passos na arte, iniciados há dois anos. Sob a autoridade do Tuhon Jared Wihongi concedemos ao Sr. Maurício o merecido ranking de Yakan Dalawa, nomeando ainda o mesmo à função de instrutor autorizado, cuja atuação em breve ampliará consideravelmente a presença de Pekiti Tirsia Tactical Association em MG, por meio de nossa organização Kali 1307.

Gostaríamos de deixar claro e indelével a seriedade com que tratamos os assuntos ligados ao PTTA/PTK, desde 2015, quando fomos admitidos pelo Tuhon Jared, que reconheceu nossa caminhada pelo PTK (iniciada anos antes) e nos confiou conduzir as atividades PTTA em nosso Estado. Nossa gratidão tem sido imensa, desde então. E procuramos demonstrar essa gratidão através do trabalho intenso e leal, por meio do treinamento constante, da divulgação permanente, da expansão dos grupos K1307, da realização de seminários locais, regionais e, anualmente, internacionais (como neste ano, em julho, com o Tuhon Jared). Isso, sem falar nos cursos de interesse específico, promovidos pela aliança K1307-CDP, voltados para públicos especializado (segurança pública, privada, praticantes de outras artes marciais, etc). Não trememos, não nos abalamos e não recuamos diante da tarefa que nos foi confiada. Seguimos em frente, atentos, e precavidos contra as armadilhas do caminho.

Agradecemos a todos os instrutores e estudantes PTTA/PTK, amigos antes de tudo, por todo o treinamento e aprendizado diário. Agradecemos sempre e cada vez mais ao Tuhon Jared Wihongi, pelos conhecimentos a nós ministrados, pela confiança em nós depositada e por nos mostrar o caminho e os passos neste fantástico universo do Pekiti Tirsia Kali.

Mabuhay!


Momento...

Participantes...
Confraternização...



Amostras para uma ligeira conversa sobre PTK e armas 




terça-feira, 8 de maio de 2018

Se fosse fácil todo mundo faria...

Aqui na "roça" as coisas não são fáceis. Não são (como o ingênuo pode pensar) resultados da "crise", porém algo mais sutil e poderoso, imaterial e permanente... Talvez seja um tipo de herança histórica, dos tempos do Brasil colônia, quando sobre nossa amada terra do pão-de-queijo pesava o jugo da burocracia e do implacável fisco da coroa portuguesa. Não sabemos ao certo se seria algo assim, mas existe por aqui um "fenômeno", ou melhor, um conjunto de complexas características que fazem de nós mineiros uns tipos bem peculiares (cautelosos, desconfiados, observadores, detalhistas, apaixonados por queijo, etc), que não saímos por aí "fáceis", dando confiança e sorrindo pra qualquer um que apareça com mundos e fundos para oferecer ou exigir. Isto não é necessariamente "bão", nem "ruim" (leia-se rũim). Apenas é o que é com suas consequências muitas. Mas, como tudo tem lá seus efeitos adversos, a dinâmica da vida e dos negócios por aqui segue um ritmo próprio, que torna a tarefa de estabelecer-se em Minas Gerais algo bem difícil e desafiador.

Há tempos já me disseram uns e outros, que aqui era um tipo de "mercado modelo". Usavam esta expressão, por mais inadequada que fosse, para qualificar o quão difícil era iniciar e fazer prosperar um empreendimento por estas terras montanhosas. E, cá pra nós, isto pode ter mudado um pouco, mas deve ter sido um "tiquim de nada", porque continua nada fácil.

Pois é... Que nós estamos faz um tempão "batendo pau" pra fazer o Kali crescer e aparecer em Minas não é nenhuma novidade. Novidade é "cumé" que a gente faz pra esse "trem" dar certo. Depende... Exemplo disto é o caso do nobre amigo Maurício Rabelo, que recentemente foi designado instrutor/líder de grupo, para fundar e conduzir novas turmas em três cidades de nosso Estado (Itaúna, Pará de Minas e Pitangui). Ele não perdeu tempo. Pouco mais de dez dias decorridos de nosso último seminário em Itaúna ele já começou com uma turma em Pará de Minas. Parabéns, nobre amigo, pela iniciativa! Sabemos que trabalho árduo e incessante o espera, e que o desenvolvimento do PTK na região, por suas mãos há de frutificar com muito sucesso.

Mabuhay!


O Sr. Maurício Rabelo, desde os primeiros passos no PTK, mostrou comprometimento e empenho no treinamento.

Excelente instrutor em sua raiz marcial (Krav-magá), também treina Aikido e agora amplia seus talentos junto ao PTTA.

Da esquerda para a direita: Moyses Perillo, Maurício Rabelo e Ramon Teixeira. E esse modelo de certificado, heim! :D

O Sr. Maurício todo felizão: Recém fundada turma de Pará de Minas. Desejamos a todos uma excelente jornada, repleta de aprendizado, nesta magnifica arte do Pekiti Tirsia Kali.



segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Um "monstrinho" para levar no bolso


Um dia você acorda e tem a ideia de que um objeto discreto, pequeno, que cabe na palma da mão, pode ser o ideal para usar numa situação do tipo "caso eu precise me defender". Aí você abre o Aliexpress e se encanta por toda sorte de opções. Depois, você conversa com amigos (que não utilizam tais armas, ou que as portam mas não treinam nada) e eles opinam, conforme a impressão que têm de cada espécie de arma, sob uma influência imaginária, induzida por vídeos do YouTube.

Então, você escolhe e compra. Depois sai por aí, todo pimpão, com seu "monstrinho" de bolso, totalmente legal. Sai caminhando firme, na certeza de que se dará bem no caso de uma eventual agressão. Aí começa o engano...

Bom, primeiro, se você não sabe lutar, essas armas não vão ajudar, podendo mesmo "complicar" (imagine só, você levando uma surra com seu próprio artefato). Depois, se você sabe lutar, pode vir a supor que basta empunhar a arma e usar as técnicas aprendidas na arte marcial que você já pratica, pela qual já participou de muitas competições e venceu... Só que isso não é bem assim. Não tratamos de esportes marciais, mas de possíveis confrontos reais. E o que pode parecer uma simples adaptação, na verdade é uma integração, um processo de educação mais profundo.

Como praticantes de artes de combate baseadas (e com forte ênfase) no uso de armas, os estudantes de Kali, Pencak Silat e Krav-magá percebem que, logo que começam a aprender as técnicas com uma determinada arma, uma das coisas que aparece é uma necessidade de ajustes, para não ser atingido pela própria arma e para que ela não migre para as mãos do oponente. Isso é muito comum, pode crer. No Kali, por exemplo, há exercícios aprendidos com bastão, mas que se executados com um facão podem (facilmente) resultar em cortes sérios no estudante que as executa. Logo, os ajustes finos surgem, como uma exigência de refinamento técnico.

Isso se aplica a todas as armas. As pequenas armas contundentes podem acertar você mesmo, especialmente nas áreas de transição de movimentos, como cotovelos, antebraços e mesmo no rosto, pois na aplicação de golpes fluidos uma mão pode "atropelar" a outra, atingindo o outro braço. Além disso, no retorno do movimento, a cabeça pode "estar no caminho". Logo, apesar de muitas técnicas comportarem um "potencial de transferibilidade", isto é de se embasarem na mecânica geral da arte, as peculiaridades da arma demandam ajustes. Exemplo disto é a aptidão das Karambits em ferir a mão viva (desarmada) de quem a empunha e não treina movimentação adequada. Mas, nosso assunto agora são armas pequenas e contundentes...

No campo da aplicação efetiva, outro fator deve ser mantido em mente. Você, dificilmente, derrubará um oponente com um único golpe, daqueles cinematográficos. A ação exigirá agressividade, logo, muitos golpes, sem intervalos, rápidos, potentes e decididos, sem dúvidas ou pausas mentais para avaliar. É tudo ou nada! É sobreviver ou não! Sua capacidade é que estará em jogo e não o suposto poder da pequenina arma, cuja eficácia depende 100% de sua aptidão.

A arma pequena e impactante é apenas uma extensão de seu poder pessoal, de sua capacidade de se movimentar e agir. Uma extensão valiosa, sem dúvida, mas depende de você, mais do que dependeria uma arma de fogo, um bastão, uma faca. Por motivos simples: a luta com apoio de tais armas está mais próxima da realidade do combate desarmado do que da luta com armas que trazem "poderes" em si mesmas, como um projétil, um fio de lâmina, ou a inércia e a massa de um bastão.

A esta altura do texto você pode pensar que o autor está querendo persuadir você a praticar Pekiti Tirsia Kali, Pencak Silat, Krav-magá. E você tem razão ao pensar isto. Tal intenção existe. Mas não à toa. É por causa da natureza dessas artes, voltadas para a dura realidade dos chamados combates aproximados e das ditas "lutas corporais". Porém, não existe a intenção de desvalorizar ou subestimar qualquer arte marcial, de forma alguma. Pelo contrário, se você pratica ou ensina qualquer das artes mais conhecidas do grande público, considere que as nossas sejam um tipo de extensão no aprendizado, como uma "pós graduação", que vai somar e abrir novas possibilidades para o conhecimento aplicado de sua própria arte. Tanto isto é verdade que não faremos "estudos comparados" da abordagem de uso das armas nesta ou naquela arte marcial. Cada qual tem seus aspectos próprios e sua própria expressão. O respeito pelo conhecimento pauta nosso pensamento.

Vamos, então, apresentar algumas armas pequenas e contundentes, comuns em nosso meio...



Dulo-dulo, ou Kubotan, ou "Yawara*" (chalmado, também, "Palm Stick"):

Basicamente é um bastão que ultrapassa um pouquinho só a palma da mão, deixando uma ou duas extremidades de fora. Serve para bater, sob a mesma mecânica que utilizamos com mãos vazias (tapas e martelos). A ponta potencializa os golpes, tornando-os mais efetivos. Serve, também, para controlar os golpes do oponente, puxando e redirecionando seus movimentos. Nos grapplings, na aplicação de uma chave, são ótimos para "aumentar a pressão" e facilitar o controle do adversário.

Talvez sejam as armas que contem com a mais ampla gama de design no gênero. Uma ou duas pontas, materiais variados, formatos elegantes, artísticos e até mesmo inusitados são fáceis de encontrar para esses pequeninos bastões. As populares canetas táticas são exemplos interessantes dessa variação. Canetas feitas em alumínio (no mais das vezes), que discretamente acompanham seus donos.

*Yawara - Temos o máximo de preconceito possível contra essa denominação, graças a uns sujeitos que, há tempos apareceram nos círculos esportivos com uma tal de "arte-marcial-invencível-horrível-superdolorível" chamada "yawara". Bom, deixa pra lá... Pesquise quem quiser...








Soco inglês, ou Knucle Duster, ou Buku Lima:

Infelizmente, arma "marginalizada", mal vista porque é associada a baderneiros, arruaceiros, criadores de encrenca e outros tipos de escória briguenta. Mas não é uma arma ilegal, como muitos imaginam e como muitos querem fazer crer. Tampouco merece ser desprezada, especialmente se você treina Pencak Silat, Pangamut do Pekiti Tirsia Kali ou Panantukan. 

Em geral possuem aquele design "clássico", que já indica sua (única) finalidade. Porém, existem modelos discretos desse conceito de arma, mais dissimulados por designs muito criativos. Podem ser encontrados em vários materiais, como polímeros e madeira, por exemplo.





 É claro que sabemos que é um  tipo de suporte, ou steady cam. Mas, só para não perder a piada: Nem dá pra notar... Deve ser "tático", ou próprio para legítima defesa (já faz o registro)



Monkey fist:

Aquelas bolinhas "bonitinhas", de aço ou chumbo, de tamanhos variados, artisticamente embrulhadas com Paracord... Podem ser portadas como chaveiros e adereços. São como aquelas Maças medievais, porém em miniatura. Servem para golpear. Sua eficácia depende de fatores como densidade, tamanho e peso (massa) da esfera em seu núcleo. Pessoalmente, acho legal, tenho, mas não ponho muita confiança...





Lanternas táticas:

Essas, sim, são armas de "responsa". Além de úteis para iluminar, servem para cegar temporariamente o adversário, desorientando-o e dando oportunidade para evasão, ou para despejar nele uma chuva de pancadas.

Há lanternas para todos os gostos, necessidades e bolsos. Quando digo bolsos, me refiro aos preços, uma vez que grande parte delas é de bolso. Mas as lanternas táticas, por execelência, não costumam ser aquelas facilmente encontradas no Aliexpress, que prometem 200.000.000 de lúmens e 10.000 horas de bateria, por apenas cinco dólares. Não... Você pode até encontrar uma boa, mas dificilmente terá as características de uma lanterna tática propriamente dita. E quais seriam essas características...?

São robustas, sólidas, com potências realmente altas (800, 1000 lúmens ou mais), gastam bateria loucamente (muitas contam com modos econômicos, para uso geral), podem possuir modo estroboscópico, muitas têm bisel (aquela borda para golpear), e muitas são adaptáveis a acessórios para acoplar em armas de fogo.

Quer comprar uma? Procure fabricantes de boa reputação, pesquise os modelos, assista análises no YouTube e prepare o bolso, pois uma lanterna tática de qualidade, mesmo sendo acessível, não é um item dos mais baratos. Existem umas de sessenta dólares e outras que chegam a duzentos, todas muito boas.


Esta aqui toca fogo nas coisas. Flash Torch (Wicked Lasers). Bacana, mas não dá pra levar à sério.





Finalizando, estas são algumas opções no mundo das pequenas armas contundentes. Todas muito interessantes e efetivas. Contudo, se você não treinar (física, técnica e mentalmente) nenhuma delas irá te ajudar a salvar a pele numa encrenca. Pedir a Deus que te proteja, antes de tudo, e treinar, treinar, treinar...



NOTA - Como disse, nesse mundo de pequenas coisas para bater nos outros o que não falta é criatividade. Muitas ideias interessantes, ao lado de bizarrices e "reinvenções da roda". Alguns exemplos abaixo...


O do alto à esquerda parace ter saído de uma sex shop. À esquerda deste um tipo de spinner que não roda, chique, todo brilhoso. Abaixo à esquerda, um tipo híbrido de chave sextavada com alça de caneca. À direita inferior, parecendo uma ferramenta, um "karandulo".  Haja imaginação!

Agora, sim, o texto acabou. 

Obrigado. Até a próxima.

Mabuhay!